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Durante
o fim de semana, Miro Lopes, irmão de Tim Lopes, jornalista
morto no ano passado, esteve em Erechim. Depois de conhecer a
cidade, visitar veículos de comunicação e participar de uma
mesa-redonda sobre violência, ele acompanhou a gravação da última
cena do filme “Sonho de Liberdade”, que retrata o trabalho
do irmão Tim.
Surpreso
com a beleza, tranqüilidade e qualidade de vida de Erechim,
Miro disse que ela faz jus ao slogan de Capital da Amizade. Os
crimes que aconteceram nestes últimos dias na cidade também
surpreenderam o jornalista. “Eles comprovam a visão que
tenho, ou seja, o crime não é visível, principalmente o
organizado, porque como são crimes profissionais eles não
chegam às pessoas. Por isso, o crime cometido com o Tim e com
qualquer jornalista é para calar a imprensa, não tem como não
ser porque no caso, ele era uma referência em função de ter
feito uma matéria mostrando uma atividade criminosa”,
esclarece.
Ao
sinalizar que Erechim o recebeu bem, transmitiu carinho e
segurança, Miro Lopes afirma que a homenagem, prestada através
do filme “Sonho de Liberdade”, ao Tim Lopes, encerra um
ciclo que dá satisfação à família.
“É
a primeira homenagem que o Rio Grande do Sul faz ao Tim e esta
manifestação é mais interna e emocionante. Isso nos dá paz,
tranqüilidade e alento para todo esse sofrimento. Com certeza,
minha mãe, minha família e a família do Tim, vão sentir da
mesma forma porque sabemos o que isso representa”, declara. No
sábado, Miro Lopes acompanhou a gravação da última cena do
filme, que aconteceu no Aeroclube de Erechim envolvendo 500
crianças e mobilizando mais de 700 pessoas.
“Apesar
do filme retratar uma violência, situação que está sendo
muito bem cuidada pelo cineasta Osnei de Lima, que tem a
sensibilidade profissional para tanto, fiquei maravilhado com a
última cena. O que me chamou a atenção e me fez vir a Erechim
foi o fato do diretor mobilizar 500 crianças para fazer uma
cena para um super 8.
Para
quem conhece trabalhos cinematográficos, um filme de super 8
reunir 500 crianças é coisa de super produção”, ressalta,
garantindo que no Brasil ninguém fez isso nem em 16, nem em 35
mm. A atitude, segundo o jornalista, sensibiliza e demonstra que
as pessoas não estão acomodadas, mas sim reagindo.
“Uma
matéria, uma entrevista na rádio, um filme, são formas de
mostrar as mazelas da sociedade e combater a violência dando
subsídios ao governo (autoridade) para se organizar e dar um
basta nestas coisas todas”, avalia.
Conforme
o diretor do filme, Osnei de Lima, a primeira fase, que é de
captação de imagens, foi concluída. Agora a equipe se atém
à revelação dos últimos rolos, edição de imagens, produção
da trilha sonora e colocação da banda sonora.
A
previsão é de que “Sonho de Liberdade” seja lançado
oficialmente no final de maio.
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