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Tim Lopes - Protestos por todo o Rio de Janeiro.
O quinto ato público, realizado ontem, contra a morte do jornalista Tim
Lopes, assassinado por traficantes na favela de Vila Cruzeiro, na Penha,
serviu para os organizadores decidirem que o movimento de protesto vai
chegar também às ruas da Zona Norte. Após passar pelo Centro, pela
orla da Zona Sul e ontem percorrer a Avenida Rio Branco (da Candelária
à Cinelândia), numa passeata que reuniu cerca de 300 pessoas, o
movimento chegará à Praça Afonso Pena, na Tijuca, no próximo
domingo, às 10h.
Entre os manifestantes, parentes de desaparecidos
Ontem, entre os manifestantes, estavam parentes de pessoas
desaparecidas, como a estudante de jornalismo Elisângela Reis Moura,
que saiu de casa para trabalhar no dia 17 de janeiro deste ano e nunca
mais voltou.
— Nosso objetivo é não deixar o crime cair no esquecimento. Terça-feira,
quando fará um mês da morte de Tim, haverá um ato ecumênico na
Associação Brasileira de Imprensa. Queremos transformar o Complexo do
Alemão num marco do resgate da cidadania — disse o presidente do
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio, Nacif
Elias.
Enquanto a caso do jornalista continua sem solução — as buscas pelo
corpo de Tim estão paralisadas há mais de duas semanas — nada mudou
em Vila Cruzeiro, onde ele foi assassinado. Às 6h de hoje terá
terminado mais um baile funk no morro na Penha, onde há quatro semanas
o repórter entrou para fazer uma reportagem sobre os bailes funk
promovidos por traficantes, onde menores são aliciados. Desde então,
sua família e amigos lutam para conseguir reaver pelo menos os restos
mortais do jornalista, que foi seqüestrado e levado para o morro da
Grota, no Complexo do Alemão. Tim foi torturado, julgado e executado
pela quadrilha do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, a
mesma que continua patrocinando bailes na Vila Cruzeiro, em Manguinhos e
na Grota.
— Neste domingo, a não ser que a polícia suba o morro, vai ter mais
um baile — conta um motorista de uma das quatro viações que são
obrigadas a ceder coletivos para os bailes.
Na terça-feira completa um mês da morte do jornalista. Durante esse
período ocorreram pelo menos outros dez bailes na favela, três anúncios
oficiais sobre o encontro do corpo do repórter ( os três casos
desmentidos depois pela perícia) e um punhado de incursões policiais,
que resultaram na descoberta oficial do cemitério clandestino.
Quatro assassinos foragidos e mais de 900 denúncias
O caso já conta com mais de 900 denúncias anônimas encaminhadas pelo
Disque-Denúncia, a maioria de pessoas das comunidades de Vila Cruzeiro
e do Morro do Alemão. Quatro suspeitos estão presos, dois deles
confessaram participação no crime. Os principais envolvidos continuam
foragidos e há suspeitas de que ainda estejam no morro:
— O Complexo do Alemão é uma área muito grande, uma montanha cheia
de pedreiras e cavernas. Sem informações precisas não há como pegar
os traficantes lá dentro — afirmou o inspetor Daniel Gomes, da 22
DP(Penha).
Ângelo Ferreira da Silva, de 19 anos, preso no dia 13 de junho,
confessou ter sido o motorista do seqüestro do repórter. Após
interrogar o repórter, Elias Maluco o teria condenado a morrer a golpes
de espada. Teriam participado do assassinato, André Capeta; Maurício
de Lima Bastos, o Boizinho; Renato Souza de Paula, o Ratinho — que foi
preso e fugiu no ano passado da Casa de Custódia Jorge Santana — e
outros dois traficantes conhecidos por Alek e Alessandro.
Os inquéritos que investigam a fuga do traficante, na Corregedoria de
Polícia Militar e na 34 DP (Bangu) continuam sem identificar os
culpados. Na entrada da Vila Cruzeiro, há apenas duas viaturas. Os
traficantes aproveitam a freqüência do rádio da polícia para
desafiar os poucos PMs de plantão na região.
Na sexta-feira passada, o secretário de Segurança Pública, Roberto
Aguiar, deu entrevista ao RJ-TV informando que a polícia ocupara
militarmente a Vila Cruzeiro. Ocupação esta que nem o 16 BPM (Olaria),
nem os policiais da 22 DP tomaram conhecimento.
Adriana Castelo Branco e Elenilce
Bottari
www.oglobo.com.br
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