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Tim Lopes - Novo protesto.
Protesto contra morte de Tim Lopes leva 300 pessoas à
orla da Zona Sul
A
chuva forte que caiu ontem pela manhã na cidade não impediu que cerca
de 300 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, participassem da
passeata que protestou contra a morte do jornalista Tim Lopes. A
passeata começou no fim da Praia do Leblon e seguiu até o Arpoador. A
caminhada na orla, promovida pelo Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Município do Rio, reuniu não só jornalistas, mas
representantes de outros segmentos da sociedade que se sentem vitimados
pela violência, como parentes de pessoas desaparecidas, representantes
dos sindicatos dos motoristas de ônibus e dos farmacêuticos, advogados
e ex-moradores do condomínio do Edifício Palace.
— Essa caminhada não é um protesto, é um lamento da cidade. O Tim
aglutinou o sentimento de muita gente que é vítima de algum tipo de
violência. Não estamos caminhando em círculos e sim para romper com
este círculo de violência — disse o coordenador do movimento Viva
Rio, Rubem César Fernandes.
Advogado cobra manifestação da Mangueira
A caminhada começou às 10h20m e terminou duas horas depois, quando os
manifestantes fizeram uma prece e cantaram o Hino Nacional. Amigo de Tim
Lopes, o advogado André Martins fez um dos discursos mais emocionados.
Ele fez referência à recente declaração do comandante da PM, coronel
Francisco Braz, de que, dos 35 mil policiais, 12 mil respondem a algum
tipo de inquérito administrativo:
— Que polícia é essa? A polícia finge que nos defende e nós
fingimos que somos defendidos por ela.
Martins questionou a falta de posicionamento em relação à morte do
jornalista dos moradores da comunidade da Mangueira, onde Tim Lopes
morou e que continuou ajudando depois de ter se mudado de lá:
— É duro ver que a Mangueira não falou nada. Não falou porque não
quis. É duro ver que quem vai prestar a homenagem ao Tim é a Portela.
A voz da Mangueira foi calada pelos fuzis. O que não dá é ouvir a polícia
dizer que não vai subir a Mangueira porque ela é muito grande. Não dá
para aceitar que um policial ligue para a casa da mulher do Tim e diga
que ela está atrapalhando as investigações. Isso é absurdo. Não
podemos dar baixa na vida humana como um parafuso, uma porca.
O diretor do Sindicato dos Jornalistas, Nacif Elias, se disse
entusiasmado com o apoio ao protesto:
— Este protesto serve também para dizermos que estamos descontentes
com o trabalho da polícia. Achamos que ela não está desenvolvendo o
trabalho como gostaríamos que estivesse. A polícia não está agindo,
está recuando. Os assassinos do Tim Lopes continuam soltos. Queremos
mais incursões para acharem o corpo do Tim — disse Nacif.
Ana Wambier e Bruno Porto
Fonte: www.oglobo.com.br
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